O desenvolvimento contínuo do líder e sua família no Ministério


“O MUNDO ANDOU E EU FIQUEI PARADO...”


Foi com essa expressão melancólica que um veterano missionário puxou conversa comigo em Brasília. Eu ministrava um treinamento em exposição bíblica para missionários. Isso faz pouco mais de três anos. Estiquei um pouco a conversa e ele me disse que quando foi para o campo missionário, nem ele nem a esposa podiam estudar, dedicando-se exclusivamente à “obra”. Depois de algum tempo de conversa, ele concluiu sua avalição dizendo: “Hoje, se eu sair de missões não tenho formação nem conhecimento para exercer outra atividade, não estou preparado para assumir uma igreja local por estar desacostumado da rotina eclesiológica. Vou morrer missionário”. Entristeceu-me demais ouvir aquelas palavras porque parecia que o que tinha sido sua maior inspiração de vida, hoje soava como um aprisionamento por falta de opções ou um peso a ser carregado.


Na minha opinião, infelizmente, essa é apenas uma parte do problema. Não ter se desenvolvido continuamente, principalmente na área educacional, não tem como consequência somente a falta de opção de outra atividade depois da aposentadoria, mas envolve questões muito mais sérias que atingem áreas que interferem em nossa vida, como um todo, e às vezes, pela correria do dia a dia, não o percebemos. São questões de natureza teológica, missiológica, ética, familiar e ministerial, só para lembrar algumas.


“NENHUM SOLDADO EM SERVIÇO SE ENVOLVE COM ASSUNTOS DA VIDA CIVIL...”


O QUE ISSO, DE FATO, NÃO QUER DIZER?


As palavras daquele veterano missionário ficaram ecoando na minha cabeça por muito tempo. Era um fato triste que não havia mais como reverter, pelo menos, na ótica dele. No dizer dele os novos missionários são até incentivados a estudar, mas os antigos estão fadados a conformar-se.


Penso que nem tudo está perdido. Vejo duas razões para meu otimismo, ainda que tímido: a primeira é que não acredito ter sido um ato de perversidade dos diretores de missões estabelecer, como regra, a proibição do missionário e da esposa de se capacitarem educacional e culturalmente durante o tempo em que estivessem no campo. Era uma questão de exegese equivocada. Mesmos os pastores locais também foram submetidos a essa pressão ministerial pelas próprias igrejas. O lema era: “O pastor deve dedicar-se às ovelhas e não se envolver com os negócios do mundo”. Entenda-se por “negócios do mundo” fazer faculdade, cursos de aperfeiçoamento, aprender um novo idioma. Não se cogitava a possibilidade de pensar que os benefícios de ter um pastor mais bem preparado seriam para a própria igreja.


A segunda razão é que sempre há tempo para voltar a respirar novos ares. Quero encorajar os missionários a começarem, se ainda não começaram, a se desenvolverem educacionalmente e a se envolverem com o novo tempo e as novas demandas da sociedade. Será uma experiência rejuvenescedora voltar a estudar, envolver-se com pessoas diferentes. A troca de experiências com os menos experientes é uma experiência libertadora. Não é trocadilho, é fato. Permitam-me usar um exemplo pessoal: quando estudei na faculdade de Pedagogia, eu era o aluno mais velho da classe. Foi fantástico como aprendi com eles. Os jovens veem a vida com outros olhos. Eu não preciso pensar como eles, mas preciso aprender como pensam para poder me comunicar. Recentemente, um mês após completar sessenta anos, concluí a parte teórica do meu doutorado. Espero viver para entregar minha tese no prazo máximo de um ano e meio.


Quando Paulo escreve: “Nenhum soldado em serviço se envolve com assuntos da vida civil, pois deseja agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Tm 2.3), o contexto não nos permite interpretar que se esteja falando que quem optou pela carreira missionária não pode se desenvolver educacionalmente. A pressão que Timóteo sofria, quase a ponto de desistir de pregar a Palavra genuína, exigiu que Paulo o exortasse a manter sua lealdade a Cristo, mesmo que seu auditório decidisse ouvir os falsos líderes. Timóteo deveria ter a lealdade a Cristo como um soldado tem ao seu general; ter a disposição de seguir as orientações divinas do seu chamado como um atleta deve estar disposto a lutar segundo as regras e a esperança de participar dos frutos do seu trabalho como um lavrador da sua colheita. O que não quer dizer que um missionário não possa se desenvolver educacionalmente, nem sua família, ficando alienados para demonstrar foco na missão. Parece que, graças a Deus, os líderes das juntas missionárias já entenderam isso. É preciso, no entanto, que os missionários e pastores também entendam.


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6675 - JMN - CIM O DESENV DO LIDER E SUA FAMILIA NO MINISTERIO 14 02 22
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Sidnei Franco de Azevedo. Casado com Sandra Ekstein de Santana Azevedo com quem teve tres filhos. Pastor há trinta anos e Diretor do Seminário Teológico Batista do Grande ABC, São Paulo. Graduado em Teologia e Pedagogia com especialização em Gestão Escolar, Pòs-graduado em Administração de Empresas - Título de Especialista em Gestão de Pessoas, Curso de Especialização em Exposição Bíblica pelo Leadership Resources International - PIBA, Graduado pelo Haggai Institute em Liderança Avançada (EUA). Doutorando em Ministério.

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