Meus amigos estão de luto: e agora?


Em nossa cultura evangélica cristã vivenciamos com muita intensidade o nosso papel de orar pelos enfermos, quase sempre na perspectiva da cura. Quando o enfermo morre, já não pedimos nada mais por ele... dizemos interceder pela família enlutada para que Deus lhe conforte o coração. Em alguns casos até fazemos visitas ao enlutado, mas logo em seguida a página é virada e seguimos com a nossa vida. O problema é que quase sempre a família enlutada fica na página virada. Não acho que seja, necessariamente, nossa falta de amor... falta de preparo, talvez.


Não é simples acompanhar o raciocínio do novo momento de uma "família enlutada”. Geralmente para os de fora o luto é um evento (doença, morte, sepultamento e saudosas lembranças por algum tempo, etc). Para a família enlutada o luto é um processo que implica em elaborar a dor da perda, aceitar a realidade da perda, ajustar-se ao ambiente onde há a ausência da pessoa perdida, reorganizarse, planejar novos papéis que serão assumidos no período após a perda... ufa! Para a família cristã o luto não é um processo de elaboração da ideia da morte, porque ela sabe que a pessoa falecida está segura nos braços amorosos do Senhor e a morte nunca poderá realmente nos separar dela.


O luto não é um processo de elaboração da ideia da morte, mas é um processo de elaboração da frustração da perda diante do acontecimento da morte. Frustração da dor da perda: do não estar mais aí, do não poder mais ver-se nos olhos da pessoa amada. Esta frustração é um ataque à sua estrutura de afeto. Afeta a sua existência inteira.


Meus amigos estão de luto: e agora? Com carinho quero dizer ao enlutado: você não está doente, você está enlutado. Alguém disse que perder a pessoa amada é de certa maneira como aprender a viver com uma amputação, você vai sarar, mas nunca serás o mesmo.


Aos amigos dos enlutados digo: continuem a celebrar os nomes daqueles queridos que partiram. Não tenhamos receio de falar os seus nomes, contar suas histórias, lembrar de quem eles são, o que fizeram e como nos amávamos, mas não deixemos de ser disponíveis com gestos de responsável afeto ao raciocínio do novo momento dos amigos enlutada.



Pr/Psic. BELMIRO MONROE _ CIM/JM

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