Como receber um Filho de Missionário (FM) em re-entrada na cidade de origem de seus pais.

February 22, 2017

 

O exemplo do jovem profeta Daniel geralmente é o mais citado durante as conversas informais com filhos de missionários (FM) transculturais, que passam pelo processo de ajustamento e adaptação cultural junto aos seus pais dentro e fora do campo.

 

O peso de ser ‘filho(a) do pastor(a)’ ou ‘filho(a) do missionário(a)’ traz com ele a obrigação de ser útil e o comprometimento de ser diferente. A necessidade de se apresentar ora como obreiro aprovado ora como um jovem que não se deixa abater, em comparação realizada com o profeta Daniel, é um grande aprendizado. Porém, deve se evitar que ocorra a desvalorização dos sentimentos e pensamentos envolvidos na fase de transição, quando estes jovens são FMs e precisam retornar ao Brasil.

 

A sobrecarga de ser um FM faz com que este jovem seja convidado a participar de diversos eventos da igreja. Do ministério de louvor, do grupo jovem, do discipulado, do rolê com a galera. A intenção é positiva: ‘precisamos ambientá-lo, fazer com que se sinta em casa’. Mas, isto gera um desgaste emocional que pode até causar um adoecimento psicológico muito comum: transtorno de ansiedade generalizado.

 

A ansiedade pode se instalar justamente porque o FM pode se sentir constrangido ao ver todo o movimento ao seu redor e pode acabar entrando em um looping de querer agradar a todos, o que pode adoecê-lo emocionalmente. É importante prestarmos atenção ao fato de este jovem cresceu longe do país e viveu sob outra cultura, hábitos e costumes, logo, não conseguirá se sentir ‘em casa’. A casa dele é em outro lugar.

 

Em minha prática de atendimento e convivência com famílias missionárias tenho percebido que há 4 passos iniciais importantes para acolhermos um FM, possibilitando uma recepção e convivência saudáveis:

  1. Conhecer quem é o FM que está retornando pelo nome e perguntar como ele gosta de ser chamado. É muito chato e desagradável ser conhecido como ‘o filho do missionário tal’ ou ‘a garota de Guiné-Bissau’, por exemplo.

  2. Ainda em relação ao nome, devemos ter cuidado para não chamarmos a Cibele de Ci ou a Bianca de Biazinha. Diminutivos são sempre sinal de carinho, mas que deve ser conquistado com tempo de convivência. Caso contrário, parece um coitadismo com o FM.

  3. Não dar risada ou criticar o jeito de falar do FM. No início é difícil conjugar os verbos (mesmo para aqueles que costumavam visitar o país em férias dos pais) e a complexa estrutura do português. Lógico que muitas vezes é engraçado ou soa estranho o acento do FM – e ele/a sabe disso. Mas, ajudar e perguntar como se falaria ‘x’ palavra no idioma dele ajuda a se vincular de forma adequada sem constrangimento para ele/a.

  4. Ao convidar um FM para ir à sua casa ou sair para comer, procure entender o que ele gostaria de comer. Nada de forçá-lo a ir para uma hamburgueria ‘porque ele nunca comeu um sanduíche tão legal quanto do local A’. Se quisermos apresentar as opções e os costumes do dia a dia, pergunte se ele gostaria de conhecer um lugar novo e ajude-o a encontrar lugares que servem a comida que ele estava acostumado a comer com a família. Ou então, faça uma sessão master chef em casa.

Tomando esses cuidados o FM vai aos poucos se ambientando e lidando com o seu processo de adaptação. Evidentemente tal processo requer outras atenções, mas isto fica para o artigo do mês que vem.

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