A Igreja Cuidadora



Pastores que trabalham no Brasil afora e enfrentam a solidão estão sempre prontos para aconselhar, ajudar e apoiar os outros, mas poucos se lembram de que eles também são seres humanos com limitações, fraquezas e necessidades.


Há uma "aura" sobre a tarefa missionária de que esta atividade seria para pessoas mais piedosas, com mais santidade. No entanto, todas as pessoas têm necessidades de descanso, de apoio e de oportunidades para desabafar.


O preparo do candidato

A igreja tem um papel preponderante de fazer com que a temática das missões permeie muitas de suas atividades. As visitas de missionários, o apoio a famílias missionárias e a formação de grupos de intercessão e o estudo desse tema na escola dominical são algumas das ações que a igreja deve desenvolver. É importante também executar projetos missionários de curta duração, pois isso pode despertar vocações e abrir os olhos e o coração de muitos para a obra missionária. A igreja deve envolver o candidato no ministério local, recomendar leituras, encaminhá-lo para um bom treinamento e manter um relacionamento pessoal e um cuidado ativo.


Apoio a missionários no campo

Especialmente nos primeiros anos, o missionário precisa de cuidado pastoral. Visitas servem para fortalecer os missionários, ouvi-los, conhecer seu progresso, suas dificuldades nos relacionamentos e na adaptação ao campo. O conselheiro os ajuda a encarar a situação de maneira diferente, encorajando-os a superar os problemas por eles enfrentados. Infelizmente, nem sempre isso é possível, pois há uma tendência de os missionários esconderem seus problemas por se sentirem obrigados a sempre terem sucesso.


Amigos sábios podem desenvolver uma correspondência transparente e oferecer a eles oportunidades para se abrirem, sabendo que serão levados a sério. A igreja deve mandar boletins, CDs de programas especiais e mensagens para cultivar uma permanente ligação. Classes de crianças e adolescentes também podem adotar filhos de missionários.


Nas férias

Durante as férias anuais o missionário volta com o coração cheio de dores, necessidades e alegrias. Ele precisa de oportunidades para ter conversas pessoais com um pastor e falar sobre a própria vida, seu trabalho e suas lutas. O missionário também precisa de chances oportunas para compartilhar as experiências do seu trabalho com a igreja. É importante encontrar líderes com o coração aberto para missões e para o missionário. Os líderes podem despertar o compromisso da igreja, aproveitando as visitas dos missionários, mas sem esgotá-los com excesso de tarefas.


A igreja deve ajudar com aconselhamento, oferecer o descanso necessário, ajudá-los em cuidados médicos e na programação de compromissos. Assim eles não ficam sobrecarregados e evitam voltar mais esgotados para o campo. Questões como hospedagem e outras semelhantes (ajuda para fazerem compras, resolverem questões bancárias, etc.) podem ser providenciadas pela igreja.


Na volta do campo

Nessas ocasiões, os missionários necessitam de cuidados e de ajuda prática para sua reentrada na vida ativa, na igreja e na sociedade. Onde vão viver? Onde os filhos vão estudar? Quais são as possibilidades de emprego, sustento e ministério? De que cuidados médicos precisam?


Muitas igrejas, no entanto, não entendem a fragilidade emocional dos missionários. Eles são cobrados em vez de serem ouvidos, tornando o processo de superação doloroso e prolongado. Os filhos de missionários (FMs) também precisam de apoio e compreensão.


A vida missionária é cheia de desafios. Na prática de cada dia, as lutas e a insegurança pesam. As pessoas sem preparo nem treinamento adequado e que não recebem um apoio pastoral apropriado acabam desistindo. Há pessoas que foram ao campo missionário cheias de entusiasmo, mas agora sequer frequentam a igreja. A agência, os amigos e a igreja têm uma responsabilidade muito grande. É um privilégio serem parceiros nesse ministério. E essa parceria não se resume ao sustento, à intercessão nem à comunicação regular. Implica cuidado integral. Um bom acompanhamento pode significar a diferença entre o desenvolvimento de um missionário maduro e a volta de uma pessoa derrotada. Que o Senhor nos ajude!


*Adaptado por Sandro Pereira

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